quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Follow the Yellow Brick Road - parte 1

Talvez essa semana complete 2 meses que eu mudei de casa. 
Dois meses que o meu tempo de leitura (modo como eu meço meu tempo no transporte público) diminuiu de 2 horas para apenas 30 minutos. 
Dois meses que planos pensados há cinco anos se concretizaram. 
Dois meses que eu divido apartamento com a minha melhor amiga que conheci na internet 7 anos atrás. Yay.
Dois meses que eu enrolo para dar início a saga maravilhosa de posts sobre como é minha vida agora que moro sozinha. Sozinha/acompanhada. Aliás, é estranho eu dizer que moro sozinha já que a Bel tá lá. 
Sempre que eu disser "sozinha" imaginem a Bel escondida lá no canto da narrativa. A menos que eu realmente queira dizer que estou sozinha fazendo algo. Enfim, deixemos isso de lado por enquanto.

Como eu ia dizendo, estou morando sozinha/acompanhada em São Paulo e vou tentar compartilhar com vocês alguns dos melhores e piores momentos dessa nova fase da minha vida. 

PARTE 1 - O APARTAMENTO (OZ, para os íntimos todos)

Para começar é preciso dizer que mudar para São Paulo foi uma decisão fácil de se tomar mas incrivelmente difícil de realizar. Exigiu esforço de um batalhão de gente para tentar encontrar um lugar decente para se morar. No começo você parte para essa empreitada cheio de exigências:

"Quero um apartamento que tenha varandinha, ia ser tão bonito colocar flores toda semana e tomar chá olhando para uma bela vista".

Mas aos poucos você cai na realidade quando começa a ver o preço dos imóveis:

"Não precisa ser uma varanda, pode ser só um lugar bacana com dois quartos."
"Pode ser um lugar com um quarto só, com cozinha e sala grandes pra gente receber pessoas"
"Pode ser só um cômodo com uma vizinhança segura"
"Pode ser um lugar que eu divida com 15 pessoas e que tenha moradores de rua legais que me protejam de noite."

Enfim, foi difícil e nós quase desistimos, mas depois de quase meio ano surgiu um lugar bacana no prédio de uma amiga e fomos visitar. Era incrível, depois de tantas porcarias que a gente tinha visto ver uma coisa bonitinha encheu nosso coração de esperança. Vizinhança ótima, pertíssimo do metrô!
Entramos, fizemos planos e decoramos mentalmente o apartamento. Pronto, era esse.

Era. Até a gente saber o preço do aluguel. 
Duraríamos exatos dois meses pagando esse aluguel e daí teríamos que ir pra rua cantar e tocar pandeiro.
Voltamos a estaca 1. Digo 1 porque havia uma esperança: a mesma amiga sabia de um apartamento na rua de trás. Marcamos com o corretor e lá fomos nós.

Adoramos a vizinhança,  também fica perto do metrô (apesar de não ser tão perto como o anterior) e ainda tem aquelas luminárias gracinhas típicas do bairro da Liberdade. 




Era o lugar perfeito e nós estávamos tão cansadas de procurar (e também não dava mais pra enrolar porque a Bel já estava de mudança de Florianópolis pra cá e ia ter que morar na rua minha casa.)

Foi com esse argumento da Bel moradora de rua que amolecemos o coração do zelador do prédio após esperarmos quase 1 hora pelo corretor que NUNCA APARECEU. 

O zelador nos mostrou dois apartamentos que havia para alugar. Um era da irmã de uma das moradoras e era a coisa MAIS AZUL que eu já vi em toda minha vida. Era meio esquisito mas no desespero parecia um palácio no céu. Ou no fundo no mar. Ou em qualquer outra coisa muito azul que venha a sua cabeça. Íamos fechar com a imensidão azul mas resolvemos visitar o próximo.

Foi quando abrimos a porta do segundo apartamento que tudo mudou. Encontramos. Era lindo, tinha quarto, cozinha, sala, banheiro, sem moradores de rua, sem 15 pessoas e o principal: um valor pagável. 
A gente não precisaria vender órgãos ou fios de cabelo para pagar as contas! Fechamos na hora. 

É PERFEITO.

Tirando a parede completamente torta da sala que causa alguns transtornos porque daí tudo parece torto e daí fica...peculiar, mais ou menos assim:



E tirando também que a "lavanderia" tá invertida com a cozinha e aí não dá pra estender roupa. Fora isso é perfeito. 
Tirando que tem um canto vazio para nada que previamente está escalado para ser o "canto do castigo". Mas é perfeito.
Apesar de que o banheiro é em diagonal e não dá pra colocar o box porque o cara também inverteu a posição do assento sanitário. Mas juro, é perfeito.

É perfeito e é nosso.

QUE COMECEM AS AVENTURAS.

Nos próximos capítulos vocês verão: os personagens que habitam a Cidade das Esmeraldas (nosso prédio/bairro), O nosso embate com a Wicked Witch of West (moça da imobiliária), Xenofobismo, etc. NÃO PERCAM.

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